Descubra Tudo sobre Lúcio Cornélio Sula

25/11/2020

     Lúcio Cornélio Sula, (Sula ou Sila), foi um militar e estadista da gente Cornélia da República Romana, eleito cônsul por duas vezes e ele foi conhecido por marchar contra seu próprio povo.


Quem foi Sula?

     Lúcio Cornélio Sula, conhecido simplesmente como Sula ou Sila, foi um militar e estadista da gente Cornélia da República Romana, eleito cônsul por duas vezes, em 88 e 80 a.C. (com Quinto Pompeu Rufo e Quinto Cecílio Metelo Pio, respectivamente). Foi também eleito ditador em 82 a.C, o primeiro desde o final do século III a.C. 

     O agnome "Félix" foi adotado já no final de sua carreira, principalmente por sua lendária sorte como general. Ele é por vezes chamado de Sila, provavelmente uma corruptela de uma forma epigráfica "SVILLA", passível de ser derivada em ambas as formas. Em sua época, seu nome provavelmente se pronunciava "Suila".

     Foi sem dúvida um dos mais importantes políticos e militares de seu tempo, um dos líderes da facção dos optimates. Depois de se destacar na Guerra contra Jugurta, na Guerra Címbrica e na Guerra Social, as tentativas de Caio Mário de removê-lo do comando do exército, que seguia para combater Mitrídates VI do Reino do Ponto, o levaram a marchar contra a própria Roma para restaurar o status quo anterior pela força das armas: a primeira vez em toda a história que um exército romano invadiu a cidade. 

     Depois de conseguir recuperar o controle da guerra, Sula deixou a cidade sob o comando de um cônsul da facção dos populares, de Mário, e um outro optimate, Cneu Otávio, partindo para o Oriente. Porém, logo em seguida Mário retornou e, com seu aliado Cina, deu um golpe de estado e acabou morrendo. Cina instaurou um governo autocrático de três anos (conhecido como "Cinnanum tempus") entre 87 e 84 a.C., perseguindo todos os aliados de Sula. Wikipédia

"O próprio Sula entrou por volta da meia-noite, provocando terror e espanto com o som dos clarins e uma infinidade de trombetas e com a gritaria e a algazarra dos soldados, a quem concedeu inteira liberdade para o roubo e a matança: assim, correndo pelas ruas, com as espadas desembainhadas, é indizível quanto foi o número dos mortos..."

Guerra no oriente:

     Sula, por sua vez, concluiu a guerra no Oriente, obrigado Mitrídates VI a assinar a Paz de Dárdanos (85 a.C.). Sua volta à Itália precipitou a Primeira Guerra Civil (83-82 a.C.), entre populares e optimates, na qual ele derrotou os líderes populares Cneu Papírio Carbão e Caio Mário, o Jovem, que estavam no comando das rendas estatais, enquanto um terceiro rebelde, Quinto Sertório, conseguiria resistir ainda por muitos anos aos partidários de Sula na Hispânia.

     À sua vitória foi seguida uma ditadura do próprio Sula, na qual ele perseguiu sistematicamente seus inimigos, estabelecendo uma ambiciosa obra legislativa para conseguir restaurar o funcionamento das instituições republicanas. Finalmente, cumpridos estes objetivos, Sula voltou a ser um simples cidadão, abandonando para sempre o poder e a vida política.

     Por tudo isto, Sula é considerado um dos romanos antigos mais extraordinários, apesar de moralmente ambíguo. Político sagaz e habilidoso general, sua carreira reflete fielmente sua época: foi um dos últimos defensores da legalidade constitucional romana, mas também um dos principais responsáveis pelo fim da República. Historiadores posteriores se dividem ao julgar seu legado, sendo ele considerado por alguns como um monstro sanguinário, e ao mesmo tempo muito elogiado por outros por suas habilidades políticas.

Marcha sobre Roma:

     As fontes antigas são unânimes ao afirmar que o conflito irrompeu quando os populares, apoiados pelos cavaleiros, prepararam a reaparição pública de Mário, que queria para si o comando militar da iminente guerra no Oriente. Depois de ter presidido as eleições consulares para 87 a.C., Sula estava pronto para partir para Cápua, onde estavam concentradas seis legiões para a campanha na Ásia), quando o tribuno da plebe Públio Sulpício Rufo trocou bruscamente de partido político, deixando de ser um dos mais notáveis membros dos optimates para apoiar Mário e os populares. Não são claros os motivos desta súbita troca de alianças: se foi por influência do próprio Mário, por ambição e sede de poder ou por outros motivos de cunho mais pessoal. 

     Sulpício rapidamente aprovou uma lei sobre o sufrágio dos italianos incorporados à cidadania romana "ex lege Iulia" e, possivelmente, una medida similar aplicável aos libertos. A violência que irrompeu entre defensores e adversários de ambas as leis foi aplacada pelos cônsules, que declararam uma suspensão das atividades legislativas, cuja natureza tem sido amplamente discutida por causa da discrepância entre as fontes. Aparentemente tratava-se mais de um período de feriae imperativae do que de um justitium. Quando, em assembleia popular perante o Templo de Castor e Pólux, Sulpício exigiu o reinício das atividades legais, a situação se degenerou em uma briga aberta que provocou, entre outras consequências, a morte de Quinto Pompeu Rufo, filho de um dos cônsules e genro de outro, e a remoção de ambos os magistrados. 

     Sula se refugiou, voluntária ou forçosamente, perto da casa de Mário, onde discutiu a situação criada e se chegou a algum tipo de acordo, pois Sula voltou para a Assembleia, anulou as feriae e marchou para Cápua para embarcar para a Ásia.


Sula era pego de surpresa:

     Antes de mesmo de Sula conseguir chegar lá, Sulpício propôs entregar o comando da guerra contra Mitrídates a Mário. A reação de Sula perante o decreto popular que o removia do comando é um dos pontos decisivos da história da República Romana. 

     Ele foi pego de surpresa com a notícia, pois a resolução foi tão rápida quanto drástica. Bom conhecedor de suas tropas, bastou que ele lesse o conteúdo do decreto para eles, acrescentando que Mário certamente levaria ao oriente suas próprias forças, o que os privaria das glórias e das riquezas que os aguardavam, para que a indignação se espalhasse entre os soldados, que exigiram serem levados de volta a Roma. 

     Os tribunos enviados por Mario foram apedrejados e o cônsul aceitou colocar-se à frente das tropas no caminho de volta para Roma. Nenhum de seus oficiais, com exceção de um questor, apoiou Sula neste ato inédito, mas, por outro lado, ele recebeu o apoio de Quinto Pompeu Rufo, que veio para se reunir com ele.  

     Pela primeira vez na história de Roma, um magistrado introduziu o fator da força militar na política interior e, a partir da aí, Roma já não mais poderia se ver livre da ameaça de um golpe militar. A crescente deterioração e as contínuas manobras políticas dos populares, inclusive o decreto de Sulpício contra Sula, que interferia diretamente em uma decisão senatorial, finalmente haviam levado a uma situação limítrofe da implantação da lei do mais forte. 

     A partir do golpe de Sula, a constituição republicana se transformou em pouco mais do que uma farsa legal e sua vigência, sujeita a modificações e caprichos de um possível imitador de Sula no futuro. Seja como for, Sula atuava oficialmente em defesa da legalidade vigente (a mos maiorum, "o caminho dos anciãos"), com a pretensão de reconstruir a República mediante a restauração do regime senatorial, como comprovará seu conjunto posterior de reformas. Mas, paradoxalmente, Sula se viu obrigado pelas circunstâncias a apoiar a vigência das leis usando justamente as mesmas justificativas que precipitaram a sua destruição

Sula elimina a Resistência:

     Dois pretores, enviados de Roma, tentaram convencer o general de sua intenção de tomar a cidade, fracassando como já havia fracassado uma comissão senatorial. Quando alcançou as portas de Roma, Mário, Sulpício e seus seguidores sabiam que não era possível uma defesa contra seis legiões que haviam cercado a capital a partir de três pontos distintos. Depois de um curto cerco, Sula conseguiu assaltar a Muralha Serviana e invadiu a cidade à frente de suas tropas, cometendo assim uma terrível infração religiosa, a violação do pomério. 

     Só a plebe do Esquilino fustigou as tropas de Sula com pedras e telhas do alto de suas casas. Sula eliminou rapidamente esta resistência simplesmente mandando incendiar o bairro enquanto seus adversários mais comprometidos tiveram fugir da cidade. Plutarco conta que os gladiadores de Mário não eram páreo para legionários treinados e que a oferta dos populares de libertar qualquer escravo que os ajudasse foi aceita por apenas três. Sulpício foi traído e morto por um de seus escravos, que Sula libertou e, imediatamente, mandou executar (libertado pela informação que levou à morte de Sulpício e condenado à morte por trair seu mestre). 

     Mário, porém, conseguiu fugir para a África. Antes de marchar, Sula publicou uma lista de inimigos do Estado (na qual constavam Mário e Sulpício Rufo) e promulgou uma série de leis para neutralizar os elementos que haviam permitido aos populares contornarem o poder senatorial, ou seja, as assembleias tribais e o tribunato da plebe. 

     A lex Cornelia Pompeia de comitiis centuriatis et de tribunicia potestate anulou a capacidade legislativa das assembleias populares (a quem esta havia sido transferida), limitou a capacidade dos tribunos de vetar uma lei emanada do Senado e exigiu prévia autorização do mesmo para todas as propostas de lei. Reestabelecia-se assim o antigo sistema serviano das Assembleia das centúrias (comitia centuriata), que tinham preferência sobre as comitia tributa (utilizadas pela plebe para promulgar leis) na votação de qualquer lei.


DITADURA

     A vitória de Sula foi seguida de sua nomeação para uma ditadura por prazo indeterminado. Quando Sula convocou a reunião do Senado no Templo de Belona, poucos dias depois de sua entrada em Roma, seus poderes se limitavam ao comando proconsular sobre suas tropas. Do ponto de vista forma, o governo legítimo de Roma estava investido unicamente nos cônsules, um dos quais, Caio Papírio Carbão, estava foragido na África e o outro, Caio Mário, o Jovem, havia se matado em Preneste. 

     Assim, era óbvio que não havia cônsules e Roma, sem governo legal, estava sob o comando legal de um procônsul formalmente declarado "hostis rei publicae" e que, por falta de derrogação oficial, seguia sendo. Quando não havia cônsules, o Senado, seguindo a tradição, nomeou um inter-rei, cuja função era convocar e presidir as eleições dos novos magistrados. A eleição recaiu sobre o príncipe do senado, Lúcio Valério Flaco. 

     Com todo o poder concentrado nas mãos de Sula, nada podia, naquele momento, se opor à sua vontade. Esperava-se que o vencedor pusesse de novo em andamento a máquina estatal convocando novas eleição e que o próprio Sula, como antes havia feito Cina, nomeasse os cônsules. 

     Mas ele queria tentar um reordenamento e uma reforma da República, já em declínio, já que as instituições tradicionais já não pareciam suficiente para agir. Era necessário um poder extraordinário, acima do aparato estatal, e Sula acreditou tê-lo encontrado (supondo que ele respeitava, apesar de tudo, as formas constitucionais) num magistratura antiga de caráter extraordinário, que, apesar de reconhecida constitucionalmente, havia caído no esquecimento desde 216 a.C.: a ditadura.

Reformas de Sula:

     Em paralelo às suas famosas proscrições, Sula levou adiante uma série de reformas institucionais e políticas para restaurar o estado e promulgar leis. Profundamente conservadoras por um lado, havia nestas reformas um espírito de concórdia, em especial ao tratar da integração dos aliados italianos nas instituições romanas.


Morte:

     Sula morreu de uma terrível enfermidade, descrita em detalhes por Plutarco, possivelmente algum tipo de câncer intestinal. Nas palavras atribuídas por Salústio a Sula, ele teria dito que sua vida poderia ser extinta a qualquer momento pela doença e no fato de Plutarco afirmar que Sula já conhecia de antemão seu próprio fim, é possível concluir que o ditador padecia da doença já desde o início de seu cursus honorum e sabia perfeitamente da sua gravidade.

     Depois de sua morte, em 78 a.C., e diante das dúvidas sobre o que deveria ser feito com seu corpo, um grupo de seus veteranos o levou de sua villa até o Campo de Marte romano, onde foi construída uma grande pira funerária para incinerar o corpo do grande ex-ditador, sepultando em seguida as suas cinzas. Seu epitáfio, criado pelo próprio Sula, afirmava que ninguém havia feito tão bem a seus amigos e nem tão mal a seus inimigos.


LEGADO

     Sula é geralmente tido como tendo firmado o precedente para a marcha de César sobre Roma e sua subsequente ditadura. Cícero comenta que Pompeu teria dito "Se Sula pode, por que eu não posso?". Sula demonstrou o que poderia ser feito e, portanto, inspirou outros a tentar; e, por isto, tem sido considerado como mais um passo na inevitável queda da República Romana.

     Além disso, Sula não conseguiu estabelecer um acordo pelo qual o exército (pós-reformas marianas, que permitia o recrutamento dos que não possuíam terras) permaneceria leal ao Senado e não a generais, como ele próprio. Ele tentou mitigar a questão passando leis que limitassem os poderes dos generais em suas províncias e estas leis vigoraram até o período imperial, mas não conseguiram impedir que generais como Pompeu ou Júlio César utilizassem seus exércitos para avançar suas ambições pessoais contra o Senado, um perigo que Sula conhecia por experiência própria.

     Enquanto algumas leis de Sula, como as sobre as qualificações necessárias para a admissão ao Senado, a reforma do sistemas legal e os regulamentos sobre o governo das províncias permaneceram nos estatutos romanos até bem adiante no Principado, muitas de suas leis foram repelidas menos de uma década depois de sua morte. O veto dos tribunos da plebe e seu poder legislativo foram rapidamente reinstalados, ironicamente durante o consulado de Pompeu e Crasso.

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